Monday, May 18, 2009

just poison.

Ele andava engraçado. Foi a primeira coisa que ela reparou. Era meio torto e ao mesmo tempo como um pavão, querendo chamar toda a atenção pra si. E Marina odiava quem queria chamar atenção mais que ela. Porque ela era o centro de seu mundo e ninguém podia querer ser maior do que ela em seu universo. Mas ele queria. E ela sentiu quando ele olhou para ela pela primeira vez.

Era venenoso e nocivo. Ele parecia uma cobra a dar o bote. E ela não gostava disso. Ela não gostava de botes ou surpresas, como você quiser chamar, para ela eram a mesma coisa. Gostava apenas de estar no controle. Ela sempre estivera no controle. Era quem observava, quem caçava e não ao contrário. E resolveu mostrar para ele que aquele era seu espaço. E ninguém o invadia. Nunca.

Era o lugar certo pra isso. Ela adorava dançar e havia nascido pra isso. Dançar não passava de um jogo, um jogo que ela sabia jogar como ninguém mais. Era parte da magia de ser ela. Ela não precisava de palavras, porque falava enquanto se movia. E todo mundo sabia disso.

Mas não esperava que ele fosse tentar revidar. Ah, e ele não só tentou como conseguiu. Ela olhou e lá estava ele, junto a uma garota que ela não sabia quem era. Não importava quem era. Na verdade, importaria no minuto que parasse de rodar a cena dos dois atracados na sua frente. Porque aquilo iria ter volta. Sem dúvida alguma disso.

Porque ela percebeu, tarde demais, que ele havia mexido com seu mundo. E ele havia entrado de forma tão grande nele que havia sido envenenada. E não gostou nem um pouco de saber disso.

Afinal, toda aquela muralha que ela suplantou ao seu redor ao longo dos anos, tinha que servir para alguma coisa. Mas ela descobriu que de nada adianta muros de contenção para uma enxurrada do tamanho dessa.

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