Ela via o barulho. Via os motoristas buzinando freneticamente uns contra os outros, a fumaça saindo dos ônibus, as pessoas falando em seus celulares, via até aquele aspecto de miragem de dias de muito sol. Mas naquele momento ela era uma esponja. Não sentia, nem ouvia. Só absorvia. Absorvia as pessoas à sua volta e nem raiva dentro dela conseguia crescer pela vida daquelas pessoas não ter parado igual a dela. Afinal qual era o problema do mundo? Era para todos estarem em um estado esponjal também. Ninguém sentia por ela? E isso abriu um buraco ainda mais fundo em seu peito.
Porque ninguém sentia por ela. Nem aquela pessoas que falavam “sinto muito” com seus sorrisos tristemente falsos e aquele olhar de pena que consumia ela. Ela não queria pena, queria apoio. Queria não ter sido deixada de fora, queria ter podido participar.
Mas não, ela só descobre quando está tudo e mal a pior. Quando não há mais nada a fazer. Talvez as pessoas pensem que assim ela pode absorver melhor. Afinal, ela havia mesmo sempre vivido numa bolha de proteção além do normal. Isso era errado, tão errado quanto tentar fazê-la lidar com aquilo bem.
Ela não lidava com a morte bem, não lidava com o sentimento de perda bem. E isso nunca iria mudar, mas ela queria saber como teria sido. Queria ter sentido a frustração de não conseguir fazer nada para salvá-lo. Era preferível à frustração a nada.
Qualquer coisa era melhor.
Porque todo o movimento do mundo podia passar por ela. Todo o sol do dia podia penetrar em sua pele, mas ela não ligava. Ela só queria sumir também. Sabia que agora estava sozinha. Na verdade, ela nunca havia se sentido diferente disso, mas agora ela estava mais sozinha do que nunca.
Era seu pai e ele ainda era o único a quem ao menos ela fingia se abrir. Ela não queria voltar para casa e enterrá-lo. Não queria atender o telefone que tocava, nem queria ouvir o cara que estava se dirigindo a ela pedindo dinheiro. Ela só queria sentir-se menos vazia.
Disseram para ela que depois de uma perda você cresce e que o vazio vai embora aos poucos. Ela sabia que era mentira. Porque todos eram mentirosos e todos só queriam na verdade que ela parasse de surtar tanto sobre isso e se comportasse como uma filha em luto normal. Daquela que não fugiu de casa com todo o dinheiro do cofre para tentar voltar a sentir alguma coisa. Pelo menos, um pouco mais do que nada.
Tindakan Keperawatan Dasar Kategori 1
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Praktik Klinik Keperawatan Dasar (PKKD) Akper RS. Dustira TA. 2021/2022...
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