Friday, March 06, 2009

Rascunho pra Redação I

Quando me falarem novamente que mulheres são ridículas, eu não contestarei. Quer dizer, se eu realmente concordasse com isso não estaria na frente da casa do meu ex-noivo, que até quatro horas atrás achava que tinha me deixado sem motivo aparente, às duas da manhã, depois de um mês do término.
Eu já o havia superado. Podia ficar sem os sussurros, os arrepios e os beijos. Podia viver sem isso. Podia viver sem ele como eu havia feito até agora. Não precisava daquela carta estúpida que ele havia deixado na minha mesa de cabeceira, não mesmo. Por isso eu a havia guardado, até hoje.
Hoje era o dia de terminar de arrumar minhas coisas para a mudança. Tinha sido aceita em um mestrado na Itália e era lá que moraria nos próximos dois anos. Já era noite, pois como tudo na vida, deixei para finalizar a bagagem de última hora. Eu já havia esquecido aquela carta, quando a encontrei no armário. Resolvi que, como eu já havia superado, eu poderia a ler e seguir em frente. Certo? Pelo contrário.
Com aquela carta, ele explicava o que havia sido inexplicável pra mim na época. Dizia que ainda me amava, mas não podia ficar comigo porque eu tinha planos de viajar e ele não queria atrapalhar.
E assim, eu vim parar aqui, a essa hora noite, descabelada e com os olhos inchados. Toquei a campainha duas vezes antes de ouvir os passos cambaleantes lá dentro. Ele abriu a porta com a mesma cara de quando eu o acordava pela manhã. Antes que ele pudesse dizer algo, eu o acordei rapidamente. Com um tapa. Na cara.
- Ei! – ele falou colocando a mão no rosto.
- Você achou que com um motivo desses se livraria de mim?
- Do que você está falando? – Pelo visto o tapa não adiantou grandes coisas.
Balancei a carta no alto, e enfim ele compreendeu.
- E você só vem falar isso hoje? Você vai viajar amanhã Liza! – ele falou se exaltando.
- Eu só a abri hoje e quer saber, acho que como você não tem motivos mais consistentes eu acho que vou ter que ficar aqui com você sabe? – disse, dando os ombros, e sorrindo para ele.
E quando ele me beijou, senti aquele arrepio e o ouvi sussurrar “eu amo você”. A quem eu estava enganando? Eu senti falta daquilo, todo o tempo.



Agora vamos encaixar em 20 linhas.

1 comment:

Anonymous said...

ai que mata