Friday, April 25, 2008

A vida como ela é.

Eu gostaria de decifrar o homem. Acho que eu falo isso quase sempre para quem quiser me ouvir. Mas isso é, com certeza, uma das minhas vontades inalcançáveis.
Somos ruins por natureza? Não, eu não acredito nisso, mas também não acredito em Rousseau e toda a sua história de que a sociedade corrompe o homem, pois se é a sociedade que nos corrompe e nós que construímos a sociedade então sim, somos ruins do mesmo jeito no final não? Só que se todos são ruins, como existem as pessoas boas e as pessoas más?
A verdade é que não se pode colocar tudo no preto e branco assim. Existe o cinza e eu sinceramente acredito no cinza. Pois toda pessoa boa alguma vez na vida já fez algo ruim e vice e versa. Mas porque toda essa perversidade, essa dissimulação e essa hipocrisia a qual vivemos inseridos? Eu não sei a resposta. Acho que nunca saberei, mas essa é uma das perguntas que sempre me faço ao ler alguma notícia. É frustrante saber que a sociedade é assim. Frustrante saber que não é possível mudar a maneira como as pessoas agem embora eu sempre ache que isso algum dia possa melhorar. Afinal, eu sou pessimista em relação à maioria das coisas, mas ao se tratar de mudar o mundo não existe ninguém mais positiva (e iludida) que eu.
É impressionante como vemos as coisas bem embaixo do nosso nariz e ficamos indiferentes apenas por não estarem acontecendo com a gente. Os problemas que não me atingem não meus, certo? Não, não são. Mas esse mundo individual ao qual estamos inseridos não vai fazer a vida de ninguém melhor por que viver sozinho não faz bem a ninguém. E sentimentos não podem ser comprados. Simplesmente não dá pra comprar alguém para se importar com você.
Hoje em dia as pessoas viram as costas umas para as outras com tanta facilidade que me assombra. Eu não quero crescer e ser assim. Acho que esse é o meu maior medo. É crescer e ver tudo e não fazer nada. É deixar todos os meus ideais para trás apenas para tentar ser inserida na sociedade consumista, individualista e hipócrita de hoje. Acho que é por isso que falo tanto nisso, que não deixo o assunto morrer. É o medo, medo de não conseguir negar a minha natureza ruim e individualista porque querendo ou não, é assim que todo ser humano é no fundo e eu sei que a vida é de escolhas, mas é muito fácil falar sobre isso, diferente é agir de acordo com elas.
Na década de oitenta era melhor de ser jovem. Acho que naquela época as pessoas eram menos alienadas para o mundo e lutavam mais por coisas que valiam a pena. É triste ver uma juventude como a nossa e eu posso dizer isso porque eu estou incluída nela. É horrível ver como parece que a cada dia se tem mais gente que se importa com menos coisas. É terrível olhar para o futuro do país e pensar que não tem jeito. Porque é isso que eu penso. Se nós dependemos dos jovens de hoje para um futuro melhor, acho que estamos perdidos, pois eles já vivem em seus próprios mundos, pensando apenas em si mesmos e nem olhando para o lado para ver se tem alguém precisando deles. Tá, tudo bem, eu sei que eu tenho que acreditar na minha geração, mais a cada dia, fica mais difícil vendo como as pessoas se comportam.
Eu quero acreditar em um futuro melhor. Eu tenho que acreditar em um futuro melhor. Mas eu não sei se consigo mais.

1 comment:

Anonymous said...

Taí uma das coisas que eu queria acreditar mas tb não acredito: na nossa geração.
eu tenho tanta certeza quanto você de que a nossa geração é 90% inútil.
tem tanta coisa que eu queria acreditar mas que a sociedade não me faz mais acreditar. então vamos dizer que a sociedade ao invés de corromper o homem, desilude-o.
ou talvez a vida nos desiluda. eu não sei o que me desiludiu, mas que eu não acredito mais em um monte de coisa, eu realmente não acredito.
nem no amor eu acredito mais, e olha que meu namoro está bem melhor em relação a antigamente, mas sabe, talvez não esteja me completando, talvez seja isso que falta pra mim.
na verdade falta fé. eu acho que a fé q eu tinha em tudo, eu perdi.