Friday, July 06, 2007

O olho de vidro do meu avô.

É mais um daqueles livros infimos. Que ninguém da a devida importância e o devido respeito. Que pega-se para ler e com suas simples 50 páginas, se lê me vinte minutos. Mas é na verdade, uma leitura para ser feita em muito mais tempo.
Aquele livro que ninguém dá importância, mais sempre me faz parar para pensar na vida alheia. Não apenas na alheia, mas na minha também. É um daqueles livros que cada frase tem mil significados e que cada uma delas, toca no fundo da alma. Um clichê banal, pra um livro nada banal.
Estranho com simples senteças te fazem pensar na proeza da vida, ou te faz lembrar um pensamento a muito esqueçido no meio de tantas voltas no seu cerebro. é incrível o que simples palavras podem fazer. O poder delas.

"A casa do meu avô era silenciosa. Todas as palavras já tinham sido ditas. Nada mais mudava do lugar. Mesmo no escuro se podia encontrar uma agulha na gaveta no criado que também era mudo. Uma casa sem palavras é uma casa vazia. Palavra povoa tudo. Corta o silêncio e, aonde chega, fica. Se a gente escreve, pode apagar, mas, se falamos, fica impossível recolher as palavras. Palavra é como borboleta, bate as asas e voa. Palavra não nasce em árvore, ela brota no coração. A gente sabe que tem cor, porém casa uma guarda uma ilusão. No alpendre da casa do meu avô havia três borboletas presas na parede. Suas asas eram de louça dura. Elas não partiam. Para voar é preciso asas leves e muito vazio pela frente. Para falar é preciso ter o que dizer. " Bartolomeu Campos de Queirós - O olho de vidro do meu avô.

2 comments:

Anonymous said...

eu achei uma vergonha esse livro

Isabel said...

Danilo, qual vergonha? Ainda nao li o livro, mas pelo resumo acima nao me parece nada de mal.