Friday, October 27, 2006

Pois é.

Alguns acham que eu não tive infância. Dizem que sou muito centrada, com idéia e reflexões que não são para a minha idade e sempre, sempre com a cabeça enfiada em um livro para cima e para baixo. Mais eu não acho que seja bem isso. Brinquei de boneca até quando pude, uso aparelho por chupar dedo até os sete anos, corria pelos pátios e jardins alheios. Andava de patins de manhã até de noite, acreditei em papai noel e na fada dos dentes, via todos os desenhos possíveis... Sabe, ainda gosto de ver alguns desenhos animados e andaria de patins pelo asfalto o dia inteiro. Serei sempre criança, mais virarei adulta inevitavelmente. Eu apenas me preocupo demais com o mundo para deixar ele de lado. Eu não entendo como alguns podem olhar só para o próprio mundinho e se esqueçer que no seu planeta tem bilhões passando fome e literalmente morrendo por conta dela. Não entendo como as pessoas podem ver um mendigo nas ruas e não se sensibilizar. Não entendo como o nosso mundo pode ser do jeito que é. Essa completa desigualdade. Para falar a verdade, acho que já afundei nisso que chamam de realidade. É isso que acontece, uma hora o realismo bate. Aí você simplesmente não acha que aquilo tem solução, embora todos acreditem que sim. E você bate o pé falando que isso nunca pode acontecer. E todos ficam achando que você é pessimista demais. Sim, isso é pessimismo, mais é realismo também. Ás vezes eu até penso que as coisas podem mudar, ai o realismo vem e me tira dos devaneios. Queria poder olhar pelas ruas e enchergar tudo uma maravilha, sem problemas ou perigo algum. Mais nosso mundo não é assim afinal. Temos que crescer com a realidade e enchergá-la. Querendo ou não. Ou também podemos fingir que nada está acontecendo (que é o que a maioria das pessoas fazem) e viver a nossa vida normalmente se preocupando apenas com seus próprios interesses. A escolha é sua amigo. Eu já fiz a minha.

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